Causa Galiza alerta de que o apoio à instalaçom dumha celulose portuguesa na Marinha é a prova da deriva possibilista do BNG

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A aprovaçom unânime ontem no Parlamento galego dumha declaraçom que apoia a instalaçom dumha instalaçom de fabricaçom de fibra têxtil abre a porta falsa para a entrada dumha nova celulose na Galiza.

O que se aprovou por unanimidade, com os votos a favor do BNG, é umha iniciativa do PP transacionada com o PSOE, para apoiar que a fábrica de fibras têxtis que promove o consórcio Impulsa, criado pola Junta da Galiza e Abanca para captar fundos europeus Next Generation, e que assinou um compromisso de entendemento com a multinacional lusa da celulose Altri, se instale “preferentemente” na comarca luguesa da Marinha.

Na declaraçom afirma-se que se deve “dar prioridade ao processo de desenho” desta fábrica “por ser umha gram aposta, tanto desde o ponto de vista económico e laboral, como desde o ponto de vista estratégico”. E concreta que se “propicie o seu emprazamento preferentemente” na Marinha.

Altri é umha das mais poderosas multinacionais europeias da celulose de eucalipto. As suas filiais Celulosas da Beira Industrial (CELBI) e Caima Indústria de Celulose SA somam 1.100.000 toneladas de produçom anual de pulpa de celulose de eucalipto BEKP e de pulpa solúvel de celulosa, que é utilizada para a fabricaçom de fibras têxtis. Se a planta de Caima foi a primeira no mundo em operar fabricando pulpa de celulose a partir de madeira de eucalipto, desde 2018 é a pioneira na obtençom de fibras têxtis a partir desta mesma madeira. A planta que se quer projetar na Marinha aproveitaria a experiência da de Caima, por isso a Junta selecionou a Altri. A celulose da Celbi e a da Caima tenhem sido acusadas de poluir de forma recorrente as suas respetivas contornas, tanto o meio aquático bem como o atmosférico. O seu negócio forestal é responsável pola eucaliptizaçom de dúcias de milheiros de hectares em Portugal.

A assinatura em 1 de outubro de 2021 dum compromisso de colaboraçom entre Impulsa, o consórcio da Junta da Galiza e Abanca, e Altri para promover umha “unidade industrial que venha a ter capacidade para produzir anualmente cerca de 200.000 toneladas de pasta solúvel e fibras sustentáveis, tendo em vista, principalmente, o fornecimento do sector têxtil, aproveitando o excecional cluster Têxtil do Norte da Península Ibérica, enquadrando-se no programa «Next Generation EU» e no Plano Nacional de Recuperação e Resiliência Espanhol” iria acompanhado dum plano forestal, tal como se concreta no texto do Memorando de Entendimento assinado: “prevê-se ainda o desenvolvimento de um plano técnico, operativo e comercial, no contexto do Proyecto de Gestión Sostenible de los Bosques Gallegos”.i

O voto do BNG

O voto afirmativo do BNG é, mais umha vez, a prova palpável de que a frwnte nacionalista dá apoio às posiçons contrárias ao país quando de questons estratégicas se tratar. Já se viu na história recente em momentos fundamentais, apoiando a construçom da planta de Reganosa de Mugardos ou a conexom de alta velocidade ferroviária com Madrid. No caso da fábrica de Altri, o BNG é capaz de reivindicar a saída da fábrica de Ence da ria de Ponte Vedra, sem concretar alternativa e sem atrever-se a defender a sua saída do País, e, ao mesmo tempo, assinar umha declaraçom de apoio para trazer umha nova celulose para a Marinha.

Em chave interna, a pergunta é se as bases do BNG som conscientes do caminho iniciado pola formaçom nacionalista cara um pragmatismo possibilista que renega de dar a batalha contra a industrializaçom de enclave, um dos seus postulados históricos, ou de defender um modelo florestal alternativo que impida a eucaliptizaçom do País. Este pragmatismo florestal achega o nacionalismo galego à aceitaçom do statu quo ditado polas multinacionais da celulose e consolida umha açom política morna, em linha com a tradicional aposta de “soltar lastre para governar”.

A outra pergunta é se as correntes arredistas que participam do frentismo do BNG som capazes de aceitar os sucessivos passos que conducirám à formaçom cara umha versom hiperpossibilista, que renuncia à intervençom nas problemáticas de carácter colonial que atingem a boa parte do povo galego organizado em plataformas e movimentos de oposiçom.